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O deserto do Saara no Marrocos: uma viagem de Fez até Marrakesh

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Na volta da Europa ao Brasil conseguimos uma semana de stopover gratuito no Marrocos com a companhia aérea nacional, a Royal Air Maroc. Estávamos fascinados pela chance de pisar na África pela primeira vez e ainda conhecer um país tão rico culturalmente e tão cheio de contrastes. Queríamos visitar suas cidades imperiais e ir até o trecho do deserto do Saara no Marrocos, mas tínhamos uma grande dúvida: será que uma semana seria tempo suficiente para tudo?

Planejando uma viagem ao deserto do Saara no Marrocos

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O problema que tínhamos, ao incluir o deserto do Saara em uma viagem de uma semana pelo Marrocos, era agravado porque a região do deserto onde estão as grandes dunas de areia fica bem isolada do restante do país, quase na fronteira leste com a Argélia. Para chegar até lá, é necessário atravessar o Atlas, a mais alta cadeia de montanhas do país.

A rede ferroviária do Marrocos, apesar de muito bem desenvolvida, não tem ramais que levem a esta parte do país. Ir por conta própria, usando transporte público, só é possível com longas viagens em ônibus noturnos, o que não só consumiria algumas noites a mais em nosso planejamento, como não nos deixaria ver todas as belezas da região, com seus oásis, montanhas nevadas, e fauna e flora únicas.

Planeje sua viagem: Reserve seu hotel em Merzouga, a cidade que serve de porta de entrada para o deserto do Saara no Marrocos.

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Após rápida pesquisa, logo vimos que a melhor opção para nosso roteiro era fazer este trecho da viagem em algum dos tours organizados, que saem em veículos 4×4, tanto de Fez quanto de Marrakesh. Fechar um tour pelo deserto nos daria a chance de ver todas as paisagens ao longo do caminho, a liberdade de pararmos para tirar fotos onde achássemos necessário e nos levaria até o Saara gastando apenas duas noites de nossa passagem pelo Marrocos. Era o tamanho ideal para encaixarmos em nosso roteiro.

O tour pelo deserto do Saara no Marrocos, com a Sahara Desert Crew*

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Pelo nosso planejamento, começaríamos nossa viagem pelo deserto a partir de Fez, que dentre as cidades imperiais do Marrocos foi a que escolhemos para incluir em nosso roteiro. Com isso, precisávamos encontrar um tour que nos levasse de Fez até Marrakesh, que é o sentido “contrário” do que é normalmente feito pelos turistas.

Após termos lido reviews no Tripadvisor, entramos em contato e prontamente recebemos uma resposta de uma das mais bem rankeadas empresas listadas por lá. O Youssef, gerente da Sahara Desert Crew dizia, em suas palavras, “que ficaria muito feliz em nos mostrar a melhor parte do Marrocos, que é o deserto do Saara”, e que bem na época que estaríamos em Fez ele tinha um carro programado a sair de lá para Marrakesh, fazendo justo o roteiro que precisávamos.

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Um magnífico lago no caminho

Não tivemos duvidas na hora de fechar. O roteiro proposto era o ideal para nossos planos e, ao contrário do que acontece normalmente em tours fechados, teríamos um carro disponível e com total liberdade para tomarmos o tempo que precisássemos em cada parada ao longo da estrada.

Sobre outros desertos: Um roteiro pelo extremo norte da Nova Zelândia.

Além do veículo com o motorista que também serviria de guia, o pacote incluía duas noites de acomodação, com a primeira em uma tenda tradicional do deserto, e todos os gastos com alimentação, à exceção dos almoços e bebidas. Era a opção perfeita.

O primeiro dia: de Fez a Merzouga – a caminho do deserto do Saara

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Acordamos cedo e, como estávamos hospedados dentro da Medina de Fez, fomos até a Porta Azul, referência para qualquer um que esteja em Fez, encontrar nosso guia, Hammi, e Daniel, um simpático australiano que dividiria o veículo com a gente. Após as rápidas apresentações e a acomodação das bagagens na mala do carro, seguimos logo para a estrada.

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Enquanto nos afastávamos de Fez, Hammi fazia uma introdução à cultura do Marrocos, contando as diferenças entre cidades e povos que habitam cada região, falando um pouco de sua herança pessoal berbere, o povo que vive nos vilarejos do deserto, que misturada às tradições e cultura árabe trazidas do oriente, formaram o povo marroquino.

Após algum tempo de estrada subindo o Middle Atlas, chegamos a Ifrán, “a Suíça do Marrocos”, o que já nos fez notar como podem ser enormes os contrastes entre cada cidade do país.

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De lá seguimos pelas florestas de cedro e ouvimos sobre a importância da madeira extraída de lá na construção das cidades históricas do Marrocos. No meio da floresta ainda avistamos alguns macacos típicos da região e mais à frente paramos em um vilarejo berbere para tentar fotografa-los, mas ali nenhum deles resolveu aparecer. Uma pena.

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O High Atlas ao fundo. Sim, existe neve no Marrocos!

Indo adiante, na estrada já se via ao longe a cadeia do High Atlas, que atravessaríamos dois dias depois.

Sobre outros desertos: Salar de Uyuni: uma visita ao maior deserto de sal do mundo.

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Seguimos serpenteando pelas belas rodovias marroquinas até entrarmos no Ziz Gorge, um imenso vale e o primeiro oásis que avistamos. É surreal o contraste do céu com os tons terrosos e uma imensa mata surgindo no meio. Cada curva gerava a necessidade de pararmos e fotografarmos.

A noite no deserto do Saara

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Algumas horas antes do pôr do Sol chegávamos em Merzouga, um vilarejo berbere tradicionalmente usado como ponto de partida para os tours pelo deserto do Saara. Merzouga fica ao lado de uma área do deserto do Saara conhecida como Erg Chebbi, onde há uma série de dunas douradas que formam aquela vista clássica do deserto que todo mundo tem na cabeça quando pensa nele.

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Uma menina descendo as dunas com uma snowboard (?) e nossas tendas a frente

Nosso tour com a Sahara Desert Crew incluía uma noite em um hotel em Merzouga que oferece a possibilidade de dormir em tendas tradicionais no deserto. Com isso, ao chegar, deixamos nossa bagagem no vilarejo e nos despedimos de Hammi brevemente. A partir dali seríamos orientados pela equipe do hotel com outro guia, Mohammed, que nos traria de volta no dia seguinte para seguirmos viagem.

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Junto a outro grupo que chegara ao mesmo instante, partimos para o meio do deserto do Saara, cada um de nós montado em um camelo (dromedários, na verdade – não há camelos no Marrocos).

Uma hora pelo deserto do Saara adentro montado num camelo/dromedário enquanto o Sol se punha ao longe gerou fotos muito legais, mas não foi uma experiência muito agradável, especialmente para quem não havia montado sequer um cavalo, como eu.

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Além disso, nosso guia mostrou não saber lidar com o público, sendo rude e antipático a todo tempo, e eram visíveis os maus tratos sofridos pelos animais nas mãos dele, o que deixou a todos abalados por fazer parte daquilo. Acreditamos ter sido uma questão de azar, pois o guia que ia à frente com duas meninas era bem agradável.

Se fizéssemos uma segunda vez – e fica aqui o conselho a quem estiver planejando esta viagem, preferiríamos pedir ao Youssef e à Sahara Desert Crew, que o passeio pelas dunas fosse feito de quadriciclo, porque não aguentaríamos ver os bichos passarem por isso novamente.

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Com a noite caindo foi servido o jantar e o grupo de funcionários do hotel ainda providenciou uma fogueira com os guias reunidos cantando e tocando músicas berberes usando instrumentos da região. A Larissa até aprendeu a tocar na hora e ficou até mais tarde reunida com eles. Uma experiência mágica!

O segundo dia: o nascer do Sol no deserto do Saara e o Vale do Rio Dades

Acordamos cedo para acompanhar o nascer do Sol no deserto do Saara numa experiência indescritível. Mesmo. Olha só:

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De lá voltamos do mesmo modo que havíamos ido, nos camelos.

Na chegada a Merzouga pudemos finalmente tomar um banho e o hotel havia deixado preparado um reforçado café da manhã antes de nos reunirmos com Hammi novamente e seguir viagem.

De volta à estrada, logo de saída avistamos um nômade pastoreando seus camelos (dromedários, eu sei, mas “camelo” é quase uma marca registrada, né?) e paramos por lá para tirar umas fotos. Ver os bichos livres daquele jeito e poder interagir serviu para termos uma experiência legal com eles e afastar um pouco a imagem que tínhamos na cabeça dos animais na noite anterior.

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A seguir mergulhamos pelos Tinghir e Todra Gorges, os mais altos e estreitos do Marrocos. No caminho ainda visitamos diversos vilarejos onde Hammi ia apontando para que prestássemos atenção às vestimentas da população, mostrando como através delas era possível identificar se eram povoados majoritariamente berberes ou árabes. No fim, ainda fizemos uma parada em uma loja de tecidos berbere e Larissa experimentou algumas roupas e fez amizade com a menininha que trabalhava lá 🙂

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De lá entramos no Vale do Rio Dades, mais um dos muitos oásis que avistamos nos dias de viagem, e nosso ponto de parada na segunda noite.

Sobre outras aventuras: Tongariro Alpine Crossing: a trilha de um dia mais famosa da Nova Zelândia.

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A vista do Kasbah Tifawen

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Desta vez ficamos hospedados no Kasbah Tifawen, onde tínhamos um quarto com banheiro. Lá foi servido o jantar e pudemos apreciar o pôr do sol da varanda. Que lugar maravilhoso!

O terceiro dia: as Kasbah, Ouarzazate, a descida do Atlas e a chegada a Marrakesh

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Vale do Skoura

No último dia partimos em direção a Marrakesh, nosso destino final. Ao contrário dos anteriores, que tinham mais atrações naturais, neste último concentravam-se as atrações arquitetônicas.

Logo de cara, visitamos uma enorme kasbah, um tipo de castelo/fortaleza bem comum na região. Comum a ponto de a área ser conhecida como a rota das mil kasbah.

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Kasbah Amridil, onde foram gravados vários filmes

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De todas, visitamos a Kasbah Amridil, no Vale do Skoura, uma construção do século XVII. Lá dentro, orientados por um guia local, entendemos a arquitetura tradicional que tanto víamos na estrada, as justificativas para cada uma das janelas e aberturas das fachadas, para as múltiplas cozinhas e fornos que guiavam a calefação de toda a construção, além de vermos os instrumentos e ferramentas presentes ainda em funcionamento. Em meia hora tivemos uma aula fascinante sobre arquitetura marroquina a ponto de a cada explicação nos fazer sorrir, de tão genuíno.

Do Vale do Skoura seguimos a Ouarzazate, a maior cidade da região e um grande polo cinematográfico. Ouarzazate é o local escolhido por muitas produções internacionais para representações do deserto a ponto de ter estúdios inteiros em funcionamento permanente por lá.

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Um dos estúdios cinematográficos de Ouarzazate

Mais à frente, pedimos ao Hammi que nos levasse até onde pudéssemos ver, ainda que de longe, a cidade de Ait Bem-Haddou, uma fortificação onde já foram filmados Lawrence da Arábia, Gladiador e, mais recentemente, Game of Thrones.

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Ait Bem-Haddou, cenário de Lawrence da Arábia, Gladiador e Game of Thrones

Após passarmos por Ouarzazate, chegamos a subir a mais de 2000 metros de altitude no High Atlas e, em plena tarde, chegamos a passar frio! Quanta ironia passar frio no Marrocos a poucas horas de distância do deserto do Saara!

Depois de almoçar, seguimos descendo a cadeia de montanhas até Marrakesh. A vista na descida, dizem, é maravilhosa, mas pegamos uma neblina tão forte que mal enxergávamos o que estava logo à frente.

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E pasmem, choveu! Mas este era só mais um dos incríveis contrastes que presenciamos ao explorar o Marrocos. E era pra isso que estávamos ali, não era?

Outros tours pelo Marrocos com a Sahara Desert Crew*

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O nosso querido guia Hammi

Por conta de nossas limitações de roteiro, nós optamos por este tour, 3 dias e 2 noites de Fez a Marrakesh, mas as opções de viagem pelo Marrocos com a Sahara Desert Crew são quase ilimitadas. Quando for planejar sua viagem pelo país mande um email para o Youssef e temos certeza que ele vai conseguir montar um roteiro perfeito às suas necessidades, assim como fez com a gente. Se der, peça para que o Hammi seja seu guia (sério, Hammi foi um dos melhores guias que já tivemos na vida, aprendemos muito com ele) e lembre-se de mandar um abraço nosso aos dois 🙂

*Larissa e Carlos fizeram o tour pelo deserto do Saara, de Fez até Marrakesh, a convite da Sahara Desert Crew.

 

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Sobre o Autor

Carlos

Carlos nasceu em Petrópolis/RJ. Quando tinha 20 anos decidiu que, sozinho, viajaria para o lugar mais distante que pudesse com o primeiro dinheiro que conseguiu acumular. Após muita pesquisa e economia, saiu do país pela primeira vez e rodou por quatro países. De ônibus. Nos anos seguintes dificilmente havia um em que não estivesse planejando outra viagem. Hoje o produto destas pesquisas é compartilhado publicamente aqui, no Vida Cigana.

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