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A obra de Gaudí em Barcelona e sua importância para a história da cidade

Gaudi Barcelona

Não há como visitar Barcelona sem ouvir o nome, ou, muito menos, sem saber quem foi Antoní Gaudí. Arrisco-me a dizer que foi a vida de Gaudí em Barcelona e sua obra: o Park Güell, a Casa Milà, a Casa Batlló, a Sagrada Família e tantas outras que anos atrás fizeram com que a cidade fosse hoje marco fundamental no mapa de qualquer viajante.

Sim, você pode até não saber quem foi Antoní Gaudí, mas foi ele quem trouxe você até Barcelona.

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O nascimento do modernismo em Barcelona

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No século XIX Barcelona já era uma cidade bem desenvolvida e um grande porto no Mar Mediterrâneo. Habitada por uma burguesia rica, atraía imigrantes dos mais diversos cantos da Espanha, mas por mais moderna que fosse, com grandes indústrias funcionando e fazendo prosperar a economia local, não comportava tamanho crescimento nas estreitas ruas dentro das apertadas muralhas do Bairro Gótico, nem no Raval ou na Barceloneta, as primeiras expansões da cidade.

À cidade de Barcelona não bastava ser moderna, deveria parecer moderna.

Derrubaram as muralhas e logo em seguida é colocado em execução um ousado projeto de Expansão, o Eixample, concebido por Idelfons Cerdá, permitindo à Barcelona ocupar o espaço que ia além delas, fazendo com que outras cidades ao redor como Sarrià e Gràcia fossem incorporadas a um só núcleo urbano, tornando-se distritos locais.

Barcelona tornava-se assim uma metrópole moderna, digna das aspirações intelectuais e econômicas da elite barcelonesa.

Mas, de certa forma, ainda faltava posicionar-se artística e, em especial, politicamente. Afinal, Barcelona, antes de ser “Espanha”, é Catalunha e exalar a identidade catalã por suas ruas era passo fundamental para que a cidade deixasse de ser apenas a capital de uma província espanhola passando a ser uma metrópole que atraísse os olhos do mundo para si.

O movimento, que ficou conhecido amplamente como Renaixensa (o Renascimento) procurava restaurar, após anos de repressão do governo de Madrid, o uso do catalão como idioma na literatura e revivia conceitos históricos nacionalistas em todas as demais formas de arte.

O modernismo catalão

Gaudi Barcelona
Pedaço da antiga muralha do Bairro Gótico

O sentimento nacionalista da Catalunha não era ponto isolado no mapa. A Europa pulsava patriotismo, com as unificações da Itália e da Alemanha ocorrendo na mesma época (quem se lembra das aulas de história?) e a arquitetura que se desenvolvia tentava espelhar estes sentimentos, incorporando referências históricas de cada país às obras.

Logo, o “modernismo catalão” desenvolvido em Barcelona, com o passado árabe da península ibérica, recorria a referências à arquitetura mourisca, misturava ao gótico presente no centro antigo e executava a geometria recorrendo a formatos orgânicos, posicionando-se ali em algum ponto entre o art nouveau e o moderno.

Assim nasceu toda a obra de Gaudí e Barcelona como conhecemos hoje.

As criações de Gaudí em Barcelona não são fruto do acaso, portanto, mas de um projeto de posicionamento da cidade perante o mundo.

E é esta Barcelona que está nos seus planos de viagem, não é?

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A história de Barcelona através das obras de Gaudí

Ciente da história da cidade e de onde é encaixada a obra de Gaudí em Barcelona, é possível montar um roteiro que mostre não só o desenvolvimento estético do arquiteto, mas também a evolução urbana da cidade.

O Palácio Güell

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Uma das primeiras obras de renome de Gaudí em Barcelona, o Palácio Guell foi projetado para servir de residência à família de Eusebi Güell, grande mecenas e incentivador da carreira Gaudí. Localizado no Bairro do Raval, bem próximo aos limites da muralha histórica, ainda é possível notar ali clara influência da arquitetura mourisca na obra de Gaudí.

O Park Güell

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Do outro lado da cidade, o bairro da Gràcia estava recém-incorporado à cidade de Barcelona quando o Seu Eusébio (já estou íntimo) resolveu por em prática uma ideia bem ousada: queria construir nos limites de Barcelona uma cidade jardim, um condomínio de casas de alto luxo com vista privilegiada para aquela cidade que surgiria ali após a expansão.

E quem mais adequado para colocar em prática uma ideia ousada do Seu Güell em Barcelona? Gaudí, claro.

Um dos problemas é que a expansão da cidade ainda era muito recente e do bairro da Gràcia até o centro de Barcelona o que existia era uma sequência de quarteirões em sua maior parte ainda vazios, o que dificultava o acesso e o interesse dos possíveis compradores.

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No fim, apenas duas casas foram construídas com uma delas servindo de residência para o próprio Gaudí.

Hoje no local funciona um parque e a antiga casa de Gaudí virou um museu.

Com o Park Güell, Gaudí começava a distanciar de um enquadramento em movimentos artísticos específicos, dando voz a um estilo pessoal e extrapolando as referências à natureza e uso de formas orgânicas.

As casas do Eixample: a Casa Batlló e a Casa Milà (La Pedrera)

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No início do Século XX, com a expansão de Barcelona em rumo, havia farta seleção de terrenos disponíveis no Eixample, como ficou conhecido o bairro de onde partiu a expansão da cidade, e a alta burguesia local ansiava por mostrar suas aspirações artísticas e econômicas.

Fartas também seriam as possibilidades criativas que teria Gaudí em Barcelona com clientes endinheirados dispostos a lhe dar total liberdade criativa.

Neste contexto, no Passeig de Gràcia, a principal avenida que liga o centro antigo ao Bairro de Gràcia (hoje considerada a Champs-Elysées de Barcelona) e que cruza o Eixample, dois proprietários decidiram que seria Gaudí o responsável pelas obras que pretendiam colocar em prática.

Primeiro Gaudí reformou a Casa Batlló dando seu toque pessoal e incorporando formatos da natureza à edificação: assim balcões ganharam formatos de crânios, o telhado recebeu a textura de um réptil e a fachada ficou multicolorida.

Leia mais: Onde ficar em Barcelona: o Eixample

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Mais tarde e algumas quadras mais acima, a Casa Milà, foi concebida por Gaudí exclusivamente com linhas sinuosas, agrupando também diversas soluções estruturais e construtivas inovadoras.

À época da construção, os operários traziam grandes blocos de concreto que recebiam a forma desejada por Gaudí na hora. Por conta disso a edificação ganhou seu nome mais famoso: La Pedrera.

A Sagrada Família, a obra da vida de Gaudí

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O movimento da Renaixensa catalã tinha também um caráter religioso e com tantos quarteirões livres na cidade, reservaram um inteiro para a construção de uma igreja que simbolizaria esta nova Barcelona: a Basílica da Sagrada Família.

Ao mesmo tempo a religiosidade extremada de Gaudí era uma de suas características mais marcantes e já presente desde suas primeiras obras: há um monumento ao calvário no Park Güell; as icônicas torres da Casa Batlló são decoradas com representações de Jesus, Maria e José e há textos e imagens religiosas incrustados tanto nela quanto na Casa Milà onde Gaudí, no projeto original, ainda tentou colocar estátuas de Maria e Arcanjos na fachada, mas foi impedido pelo proprietário.

Não à toa, quando se tornou responsável pelo projeto da Basílica da Sagrada Família, Gaudí passou a considerar esta a obra de sua vida, sintetizando nela toda sua experiência como arquiteto, construtor e devoto.

Saiba mais: A Sagrada Família em Barcelona: a obra suprema da Catalunha

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Assim, a complexa simbologia empregada no exterior representa toda a vida de Jesus, da Natividade (a única fachada completa por Gaudí) à Paixão. No interior não menos impressionante (particularmente acho o interior mais impressionante ainda, mas há quem discorde) é possível ver todo seu apreço nas aberturas para entrada de luz natural nos enormes vitrais e referências à natureza com as colunas gigantescas em formatos de árvores.

Tornando-se cada vez mais religioso com o decorrer dos anos no projeto, Gaudí dedicou os últimos anos de sua vida exclusivamente a uma obra que àquela altura já sabia que não veria completa: “meu cliente não tem pressa”, dizia.

Ainda hoje incompleta, recentemente foi finalmente divulgado um prazo para a conclusão da Sagrada Família: 2026, como parte das celebrações e homenagens pelo centenário de morte de Gaudí.

*A estadia do Vida Cigana em Barcelona teve o apoio do Barcelona Turisme – Visit Barcelona.


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Sobre o Autor

Carlos

Carlos nasceu em Petrópolis/RJ. Quando tinha 20 anos decidiu que, sozinho, viajaria para o lugar mais distante que pudesse com o primeiro dinheiro que conseguiu acumular. Após muita pesquisa e economia, saiu do país pela primeira vez e rodou por quatro países. De ônibus. Nos anos seguintes dificilmente havia um em que não estivesse planejando outra viagem. Hoje o produto destas pesquisas é compartilhado publicamente aqui, no Vida Cigana.

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