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Ilha Sul Nova Zelândia

Vivendo sob a ameaça de um terremoto na Nova Zelândia

christchurch terremoto na nova zelândia

A história de Christchurch começou a mudar para sempre em setembro de 2010. Na madrugada do dia 4, um terremoto de magnitude 7.1 atingiu a cidade, mas por ter ocorrido na zona rural só provocou danos em alguns edifícios mais antigos e não causou nenhuma fatalidade, visto que boa parte da população estava dormindo no momento.

Até então, acreditava-se que a região não estivesse propícia a um terremoto desta escala. De fato, até aquele momento não se sabia nem mesmo que parte da falha geológica cruzava a cidade, pois não havia registros de um tremor como este há milhares de anos. A maior preocupação do país sempre foi acerca da possibilidade de um terremoto ocorrer ao longo da Falha dos Southern Alps, que cruza a região montanhosa da Ilha Sul.

O que não se sabia era que o pior ainda estava por vir.

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Leia Mais: Veja como é viajar no TranzAlpine, o trem que atravessa os Southern Alps da Nova Zelândia

O terremoto de Christchurch na Nova Zelândia

Seis meses depois, próximo ao meio-dia de uma terça-feira, com o centro da cidade lotado, uma das réplicas do primeiro terremoto, porém com o epicentro localizado na área urbana e mais próximo à superfície que o primeiro, alcançou magnitude 6.3, atingiu em cheio e levou ao chão a segunda maior cidade da Nova Zelândia.

Foram 24 segundos que mudaram quase dois séculos de história da cidade.

A Catedral, símbolo da cidade, foi arruinada junto à boa parte do centro de Christchurch. Fachadas e varandas desmoronaram e ao menos dois edifícios altos entraram em colapso, fazendo com que suas lajes desabassem umas sobre as outras e causassem a maior parte das 185 mortes que foram registradas.

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A antiga Catedral, em processo (longo) de restauração

Quando a atividade cessou, a cidade, que é enorme para os padrões da Nova Zelândia, precisaria reconstruir estradas, pontes e reestabelecer suas redes de água, luz e esgoto. Muitas edificações, em especial as do centro da cidade, mesmo que ainda em pé após o tremor, precisariam ser demolidas. Vários bairros residenciais na zona leste da cidade seriam evacuados, abandonados e derrubados por inteiro no processo.

A paisagem local nunca mais seria a mesma.

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Instalação em homenagem às vítimas. 185 cadeiras vazias.

Leia Mais: Conheça Napier, na Nova Zelândia, destruída por um terremoto em 1931 e reconstruída em estilo art-déco.

Os terremotos na nova Zelândia

A Nova Zelândia é um país extremamente sujeito a terremotos de larga escala. Apesar de pequeno, seu território é dividido em duas placas continentais diferentes, parte na Placa Australiana e parte na Placa do Pacífico, integrando o chamado Círculo de Fogo, uma região que, segundo a National Geografic, concentra 90% dos terremotos do planeta.

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Colocando em números parece inviável que o ser humano ocupe uma região como esta. E para um brasileiro, pode ser aterrorizante imaginar viver em um país que sofre cerca de 14 mil terremotos por ano, mas a realidade é mais amena do que este valor aparenta.

Sim, o país sofre tremores constantes, mas a maior parte deles não é perceptível e a população leva a vida tranquilamente sem estar constantemente preocupada com potenciais desastres.

A sensação de viver sob a ameaça de um terremoto na Nova Zelândia

Neste tempo morando no país, aprendemos que há muito mais fatores a serem considerados na hora de analisar o potencial de um terremoto, além da intensidade na Escala Richter. A proximidade e a profundidade em que cada sismo ocorre afetam muito mais sua percepção, assim como sua localização e o momento em que ocorre.

Alguns exemplos práticos:

Assim que chegamos à Nova Zelândia houve um terremoto de escala 5.5, próximo a Palmerston North na mesma região de Hawke’s Bay que nós estávamos. Por ter ocorrido de madrugada, os vizinhos estavam, no dia seguinte, super curiosos para saber como os brasileiros recém-chegados tinham reagido, mas nós nem sequer acordamos do nosso sono.

Por outro lado, em um ano percorrendo o país, houve dois momentos em que conseguimos perceber que o que se passava era de fato um terremoto, mas nenhum dos dois pode ser considerado relevante: em Wellington, sentimos um solavanco que só soubemos se tratar de um abalo porque um casal neozelandês ao nosso lado nos avisou; e recentemente em Christchurch, uma onda de vibração passou pela casa e logo corremos para a internet para confirmar nossas suspeitas.

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No centro de Christchurch até as agências bancárias funcionam em contêineres

No caso de Wellington a magnitude registrada foi de 2.0, e em Christchurch de 2.8, mas ambos seriam imperceptíveis caso não estivéssemos a poucos quilômetros do ocorrido.

Cá entre nós, todo neozelandês ri quando contamos que foram estes os únicos que sentimos até agora, já que eles nem consideram intensidades tão baixas com seriedade.

Como se reage a um terremoto na Nova Zelândia

No último mês de Abril, um terremoto próximo a Kaikoura atingiu 6.2 de magnitude (quase tão intenso quanto aquele que destruiu Christchurch), interrompeu as linhas de telefone da cidade e, apesar de não ter gerado maiores danos, virou notícia no Brasil, no Uol e no R7. Em casa, no interior da Nova Zelândia, esperávamos que todos os telejornais locais fizessem edições especiais sobre o ocorrido, mas tudo soava quase como uma nota de rodapé – mais um dia normal na vida do povo neozelandês.

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Escultura feita com material de demolição do terremoto de Christchurch exposta em museu.

Claro que caso algo fosse destruído ou houvesse alguma fatalidade o tom da abordagem seria diferente, mas acho importante ressaltar como boa parte do que nós brasileiros enxergamos como perigoso em um país sujeito a terremotos vem do medo de algo desconhecido e para o qual não fomos preparados. A população da Nova Zelândia é informada sobre procedimentos de segurança durante e após um terremoto na TV, nos jornais e até nas salas de cinema, em avisos antes dos trailers.

Até as crianças sabem o que fazer em uma situação destas.

O Futuro da Nova Zelândia, e de Christchurch, após o terremoto

A Nova Zelândia foi pega de surpresa pelo terremoto de 2011, mas não pretende cometer o mesmo erro uma segunda vez. Logo após o ocorrido em Christchurch, o país atualizou o “Building Code” – um documento equivalente ao Código de Obras brasileiro – determinando que toda construção no país deva ser preparada para suportar estes tremores, não importando a distância que esteja das falhas geológicas conhecidas.

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Novas casas estão sendo erguidas aproveitando o mesmo material das que foram demolidas.

Quase cinco anos após o terremoto que mudou a história de Christchurch, a infraestrutura básica da cidade está quase toda refeita. Ainda há diversas ruas e avenidas com trânsito fluindo em meia pista por conta de obras, uma infinidade de edifícios ainda em processo de demolição e algumas poucas casas cujos habitantes precisam, ate hoje, recorrer a banheiros químicos no quintal por falta de abastecimento regular, mas diante do desastre ocorrido é notável como a reconstrução da cidade progrediu.

O turismo em Christchurch após o terremoto

Acima de tudo, não deixe que os efeitos de um terremoto retirem Christchurch de seu roteiro de viagem pela Nova Zelândia. Pelo contrário.

Atrações icônicas que haviam sido interrompidas, como o Bondinho pelo Centro da cidade e a Gôndola que leva ao topo de Port Hills já voltaram a funcionar.

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A Catedral de papelão, de Shigeru Ban

Por apelo popular, a Catedral, apesar de muito danificada, passará por um longo processo de restauração que pode ser acompanhado à distância. Enquanto isso, uma Catedral de Transição, projetada pelo arquiteto japonês Shigeru Ban (vencedor do Pritzker de 2014), e sustentada por tubos de papelão (chamada por isso de “Cardboard Cathedral”) é uma enorme – e temporária – atração.

Christchurch Terremoto Nova Zelândia
O shopping Re:Start virou atração turística

E há, espalhadas pela cidade, uma série de intervenções artísticas e formas originais de ocupação dos espaços vazios gerados pela série de demolições – como o shopping Re:Start, todo feito em contêineres – que reforçam a ideia de que esta Christchurch que existe hoje é diferente não só da que um dia foi como da que será no futuro. E todas as diferentes versões da cidade, em especial se comparadas uma a outra, são igualmente interessantes a qualquer turista.

O processo de reconstrução de Christchurch está previsto para que dure, pelo menos a princípio, até 2022.

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Sobre o Autor

Carlos

Carlos nasceu em Petrópolis/RJ. Quando tinha 20 anos decidiu que, sozinho, viajaria para o lugar mais distante que pudesse com o primeiro dinheiro que conseguiu acumular. Após muita pesquisa e economia, saiu do país pela primeira vez e rodou por quatro países. De ônibus. Nos anos seguintes dificilmente havia um em que não estivesse planejando outra viagem. Hoje o produto destas pesquisas é compartilhado publicamente aqui, no Vida Cigana.

1 Comentário

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  • Aplaudo os moradores da NZ, é amar muito o país, que é belíssimo! Tenho uma amiga que mora aí. Espero que os terremotos que ainda virão não sejam destrutivos.
    joturquezzamundial
    Beijos.

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